Mentora da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, a inglesa Liz Calder ri ao se lembrar da euforia e do nervosismo da primeira edição, quando os visitantes eram esperados às centenas, mas vieram aos milhares. Calder, que ajudou a fundar a Flip em 2003, diz que continua se impressionando com o crescimento vertiginoso da festa. O público dos debates foi de cerca de 20 mil pessoas no ano passado, contra 6 mil no primeiro ano.
{jcomments on}Textos citados da aula do Ms. Humberto Milhomem em 22 de setembro de 2007.
01 --------------------------------------
Motivo
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.
Cecília Meireles (*1901 - 1964+)