[Música] desapareceu, sim, meu pai sempre disse, há 50% de chance dele estar aqui, então eu vou lutar por esses 50%, ele está vivo, essa foi a maior busca já feita no Brasil por alguém, aí ele falou isso, o que você acha de ir embora antes, eu falei assim, eu acho que não tem nada a ver, aí o Ju falou, sou eu que tenho que achar ele aqui, né, o Juan era um chefe de escoteiro diferente dos outros chefes de escoteiro, muita gente achou que ele era culpado, eles acharam que teve crime, eles até falaram que ele era pedófilo, sim, eu fui torturado pela Polícia Civil, eles falaram pra mim, eu quero que você me diga onde está o corpo do Marco, eu falei, não sei, aí eu tomei choque nas partes íntimas, no dedo, eu moro aqui, com 54, 55 anos de idade, eu ainda moro aqui, porque sabe-se lá, um dia a campanha aí, eu vou aí atender e é [Música] a mulher mais extraordinária que eu conheci na vida, a companheira exemplar 51 anos que vivemos juntos, eu me apaixonei pela Nelma, sabe, de cara assim ela não me deu uma dona danada Vamos descer hoje pelas escadas quando eu terminar o curso, não, eu vou pegar o elevador no dia seguinte Vamos descer pelo elevador, não, eu vou descer pelas escadas quando eu falei, vamos casar ela falou que não, por quê, porque provavelmente não vou poder ter filhos no futuro, eu falei meuma, se a gente não puder ter filhos, a gente adota pai e mãe, esse é quem cuida das crianças, eu sou a irmã mais velha de cinco irmãos, eu sou Adriana, e depois de mim vem o Fábio, depois vêm meus irmãos gêmeos, Marcus Antony, Marcus Aurelius, e depois vem a Patrícia, até mesmo a hal, os médicos acharam que era um, era gêmeos, eu nasci às 16:50 no dia 16 de janeiro e aí o médico me tirou, foi cesárea, né, ele pegou a placenta, as coisas e jogou fora, aí ele viu que estava se mexendo alguma coisa, e era o Marco Aurélio, imina um bebê de 1 kg, um 940 G, mais 100, mais ou menos, estamos falando de 6 meses e meio de nascido, ela teve uma dedicação extraordinária, acho que a força dela passou para os filhos, minha mãe era uma pessoa minha mãe era uma station wagon para começar, então minha mãe, então onde ela chegava, fazia aniversário, onde ela chegava, a gente já atraia atenção, eu tenho só as melhores lembranças de tudo que ela me transmitiu, imagina cinco irmãos, pai, mãe, avó também que morava em casa, então e dois banheiros, todo mundo querendo tomar banho, sabe, a gente sempre fazia as atividades juntos, na época da escola, para estudar, a gente sentava na mesma mesa para Adriana ser prestativa e para Fábio, inteligência para Patrícia, a queridinha da família, Marco Antônio chorava por tudo, Marco Aurélio era perigoso, danado, ele era selvageria, meu irmão teve que fazer uma série de cirurgias por conta de um problema, minha mãe ficou internada muito tempo na Santa Casa e ele não pôde entrar no quarto, ele ficou 37 dias na Santa CR, a casa da minha mãe, eu perguntei pra ela, ela me levou de ônibus e ela falou, ele estava naquela janelinha, nossa certidão de nascimento está aqui, Marcus Aurelius nasceu em 16 de janeiro de 1970 às 16:51. Eu nunca me esqueci do meu 16:50, eu sempre brincava que eu era um minuto mais velha e sempre era muito engraçado, porque eles adoravam fazer muitas pegadinhas, né, como eles são idênticos, tanto na escola quanto no escotismo, eles se vestiam iguais, então um entrava por uma porta e daqui a pouco saía por outra, eu tirava os meus óculos e a gente fazia uma espécie de RPG e quem não sabia que eram gêmeos não entendia como um entrava por uma porta e o outro por outra, essa questão da partilha de sentimentos, dessas emoções, né, que dizem que acontece muito entre gêmeos e entre nós acontecia, eu estava de costas e tinha alguns objetos numa bolsinha E aí o Marcus Aurelius pegava um objeto, eu tinha que adivinhar qual era e vice-versa e a gente acertava quase tudo, mas no dia, sei lá explicar, eu não senti nada, nada, nada, quem sentiu foi a minha mãe, era um feriado, 8 de junho e nós fomos a Nelma, o Fábio a Triana, o Marco Antônio e eu passar o fim de semana lá e chegando no sábado, a nma fala assim: Evo, a gente tem que ir embora, tem alguma coisa que não tá legal e minha mãe começou a ligar pra todo mundo pra saber se tinha alguma notícia, né, das pessoas do escotismo e o pessoal dizia que não, Nelma: Não se preocupa, o retorno deles é só amanhã, só domingo no dia seguinte no domingo, que era o dia do grupo, voltou e eu encontrei mais ou menos aqui por volta das 5 horas, então deu 6 da tarde, 7 horas, 8 horas da noite, 9 horas, nenhuma ligação o telefone tocou 8 minutos para as 11, o telefone tocou, aqui a minha mãe fala que foi ela que recebeu a ligação, mas quem recebeu a ligação foi a Che Ju e ela falou, Adriana eu preciso falar com o seu pai, nós não vamos hoje, porque ele desapareceu ontem nessa casa, eu falei Juan, que dormiu aqui no dia que ele viajou, eu falei Juan, não vai pro mar sem guia, ele não precisa de guia pra caminho do [Música] Mariz, o Juan era chefe escoteiro, diferente dos outros chefes de escoteiro, ele era muito aventureiro, era muito autoritário e as pessoas adoravam ele [Música], escotismo, ele é muito parecido com um treinamento militar porque a gente fazia um curso de sobrevivência com um bombeiro, treinado no exército, o escotismo significou muito nas nossas vidas, um ambiente que exige muito da questão física, em vez de eu ser deixado de lado, pelo contrário, o escotismo me acolheu porque nós fomos prematuros e também um parto gemelar e eu tive paralisia cerebral, eles usavam uma jaqueta, uma tala aqui, uma no pescoço e atrás tinha uma tira de aço que ligava nas duas argolas pra ele ter uma cabeça assim e eu precisei fazer uma cirurgia assim que eu colocava essa perna no chão, eu andava na ponta, ele foi muito importante, o Marco Antônio se libertou que ele puxou a perna e cansado o Juan sempre virou pra mim e disse Marco Antônio dessa vez você ainda não conseguiu, mas você vai conseguir e no dia que eu peguei o poste, fazia parte de uma prova que os escoteiros têm que passar regularmente para receber as insígnias das especialidades, quanto mais especialidade ele tiver ele é mais capaz que os outros em outubro de 84, ele satisfez todos os testes regulamentares, então quer dizer, ele já tinha passado pela fase de estágio e essa atividade selaria sua entrada como escoteiro Sênior, essa foi a primeira vez que ele fez uma viagem sem o irmão sozinho E justamente na idade que Marcus Aurelius se perdeu, foi a primeira vez que foram pra escola pra estudar, eles deram o primeiro passo de separação, escoteiros, tá, eu vou fazer uma cirurgia, eu não podia me esforçar, era uma noite muito tranquila aqui no mar, ele acordou cedo, era muito orçamento, eu os levei pro metrô e foi lá que eu me despedi do Aurelio, dei aquele abraço, aquele abraço e me veio à cabeça, eu nunca mais vou ver [Música], o que você busca pra mim, representa pra mim a formação, o caráter, a dignidade de um homem, eu também em 82 fui fazer escultura, sabe, e eu conheci o Marco Aurélio, o Marco Antônio Depois eu conheci o senhor Ivo porque ele já era chefe, o Marco Antônio era o chefe da minha patrulha, tá, da patrulha do Leão e aí o Marco, ele era muito exigente e pra nós foi muito bom porque ele tinha conhecimento, né, ele era muito dedicado em tudo que ele fazia, muito dedicado, apesar do problema visual, mas ele se saía bem, esse acampamento tinha sido agendado um ano antes, era pra ir todo o grupo cerca de 100 pessoas que as pessoas desistiram, desistiram, sobraram só quatro seniors, eu salvei o ramati e o Marco [Música] Aurelius era mais uma viagem, né, porque Pico dos Marins, né, é um pico outro, né de São Paulo, Rio e Minas, nós chegamos ao local e tivemos esse encontro com o Juan, o Juan fez a tarefa e dividiu o grupo e aí fomos eu e o Marco, nós ficamos responsáveis por montar a barraca, e o Ramatis fez outra coisa, entrou à noite, o chefe chamou a gente e falou: Vamos fazer uma fogueira no chão, podemos conversar e organizar a subida para o Pico dos Marins, né, no dia seguinte, começou a cair à noite, então estava muito frio, o chefe foi para a casa porque existia uma casa lá de um homem chamado senhor Afonso, né, e ele concordou em subir junto, aí ele falou, não precisa, ele falou, mas é perigoso e aqui e tudo que você pode imaginar você vai encontrar lá, Afonso disse o seguinte, tinha seitas, tráfico de drogas, também do lado de Minas, mas pode ser que você encontre também um ser de outro planeta, foi o que ele disse, né, porque existe um portal lá em cima, ele falou desse portal, um disse que se ainda não existia, ele falou cara, esse velho é maluco, eu posso te dizer que aconteceu algo assim, à noite, perto do amanhecer, eu tenho dificuldade pra dormir, né, e eu acabei vendo assim, umas sombras passando umas pelas outras, essa sombra, eu cheguei a ver 3 Du vezes e uma dessas vezes eu consegui abrir o zíper da barraca e eu fui assim e falei, será que tem alguma coisa, né, e tinha um facão do lado, peguei ele, falei pra mim se tem alguém aqui querendo nos fazer mal, mas acabei dando de cara com um ser que eu nunca vi na vida Ele olhou pra mim e eu olhei, aí ele se afastou, foi embora e eu gritei E aí todo mundo ficou ansioso, aí o Ju acordou, ele falou assim, falou, tem uns relatos assim, mas não existe, falou que era alguma coisa em mim [Música], ele falou que ouviu a mulher do senhor Afonso comentar que ela tinha um trabalho pra fazer, se um grupo ia passar, ela falou que não, pelo contrário, eu até preparei um lanchinho pro Afonso pra fazer essa viagem junto com vocês o motorista da Kombi deveria levar vocês até a base do Pico dos Marins, esse motorista recebeu recomendações de apresentar o grupo ao senhor Afonso, que seria o guia na subida do Pico dos Marins, em nenhum momento ele falou que ia subir junto, que ia junto, se ele tivesse falado tudo bem, eu teria aceitado com prazer, no dia da viagem, nós saímos muito cedo, eu lembro que o dia estava muito ventoso, mas estava ensolarado para chegar lá por volta de 11:30 da manhã, durante o trajeto, fomos até o Pico dos Marins, nós vimos todos, então não fomos só eu, fomos todos nós, vimos um homem alto, de chapéu, vestido de preto, descendo e ele desceu e falou: Não subam, é muito perigoso, lá em cima, não subam, voltem e ele pediu pra gente voltar e o fou é louco, vamos pra lá, quando olhamos para trás, não vi mais nada, aí salvou ele, ele sumiu [Música] o grupo No local onde existe uma Cruz de Ferro, o escoteiro Marco Aurélio se perdeu do grupo, fez uso do seu apito e foi localizado pelo chefe Juan, cerca de 3 horas de subida, mais ou menos, eu sei que quando nós registramos quando passamos pelo Mor do Careca, pegamos um caminho muito, muito estreito, bastão e o também certo, certo, pra ver se a terra não era legal, se não tivesse aquele buraco naquele dia, o Juan passou, o Marco passou, eu passei, eu caí, eles me tiraram do buraco, eu perguntei pro homem, tá, eu falei assim, chefe, eu não tô com dor, tá, aí ele falou: Ah, é frescura, eu falei então vamos subir, aí ele viu que eu não colocava a perna, tá, ele falou, ah, vamos ter que ir com você, foi improvisado uma maca pra levar ele, com certeza o Juan tentou levar ele nos ombros dele, mas não conseguiu pelo peso do ferido RZ era baixo, ele não tinha condições físicas para isso, o Marco Aurélio era fraco e baixo, ele era pra quem me restou, aí o Marco falou assim, não, e que você já tá pensando em ir embora antes, aí o Juan, tá, falou é verdade, é melhor você ir na frente, aí eu falei que ele não precisava, eu falei assim, eu acho que não tem nada a ver, ele falou assim, quem tem que pensar sou eu, não é você, e mandou o Marco aur na frente que ele era muito apegado à nossa família, a família dele toda era muito ligada, uau, não passou pela cabeça dele, vou fazer o mar um herói, não é só no escotismo, em qualquer grupo, você nunca separa um elemento do grupo pra gente no escotismo, o chefe Juan era como um super-herói, o Juan possivelmente tomou essa atitude pensando que ele já estava perto da base e que isso de alguma forma traria uma honra pro Marco Aurélio de dizer que foi ele que conseguiu ativar o socorro, chegando na base, eu entendo que não teve crime, que o Ju não cometeu crime e eu entendo sim que o Juan deixou de seguir, que ele cometeu um erro e esse erro foi muito necessário, pra marcar a rota, foi aí que o Ramatis se ofereceu, não consigo fazer isso com você, não tem exercício, Marira falou, não, eu consigo fazer a parte mais avançada de todos eles, foi ele como a gente fez a sopa, então vamos abrir a sopa Pelo menos você come antes, porque não é justo, né, eu não tô com fome, eu falei que não, mas não é justo, não, não, para ele que vai descer na frente, aí o Juão falou não, e ninguém vai comer, aí cada um deu um pouco pra ele, né, a gente deu uma faca que eu tinha, né, e eu troquei com ele, né, um chapéu e deu umas folhas de jornal, deu fósforo, aí o certo seria no dia seguinte antes dos três M não mais que isso e soprar o apito e marcar com giz, ele se foi, antes que ele foi para a esquerda, eu comecei a seguir também pelo lado esquerdo por causa da grama, eu falei que não, então não vou subir aqui, eu vou fazer um desvio, vou pra direita, desvio e aí eu volto, porque o Pico dos Marinos tem uma coisa interessante lá, você não se perde, você simplesmente chega lá pelo lado esquerdo, que é esquerda, aí o Osvaldo já recuperado da dor no joelho, ele já caminhava sem a ajuda dos outros, o grupo ainda visualizava o Marco Aurélio caminhando à frente, o chefe Juan não o chamou para se juntar ao grupo, o capitão Marco respondeu e depois parou de responder, não ouvimos mais o apito E aí chegamos a um lugar com um portal, aí foi pra gente ir pra um onde aí, o Juan falou, vamos para essa pedra, a bússola já não funciona mais, não entendemos porque a bússola não funciona mais e aí caiu a tarde, caiu a noite, ficou frio, foi muito intenso, abaixo de zero mesmo, nós seguimos de cara e com coragem nós saímos e quando ele saiu, ficamos sozinhos nós três, aí ele voltou, uns 8 minutos, 7 minutos, ele falou que foi procurar o Marco, nós paramos ao lado de uma cachoeira, estávamos morrendo de fome, tinha uma lanterna, mas ela começou a falhar, aí ele apagou, ele falou assim, agora é a lei da sobrevivência, né, todo mundo começou a se ajudar, aí eu vi força onde não tinha e desci, desci, rolei, desesperada, desesperada, desesperada, gritando meu Deus do céu, vou morrer, vou morrer, tudo isso, vou morrer, e quando chegamos lá, sabe, no dia seguinte arrastando todos nós sem condições de nada, conseguimos ir até uma casa e no momento que ele abriu a porta, gota a gota meu pescoço caiu dentro da propriedade dele, ele não sabia quem era até então ele achou que éramos ladrões de gado e aí eu falei Juan o que aconteceu ele falou que você anda mais 6 km pra frente [Música] meu nome é Maria osciladora Pinto da Silva, sou de Piquete, nasci em Piquete e tenho essa propriedade que há 48 anos meu marido Marton há 48 anos comprou do senhor Afonso, mas aí ele se arrependeu, ele veio nos pedir se ele podia morar lá novamente, que ele gostava muito dali e a gente sempre vinha com os filhos para passar o fim de semana e nós vimos uma barraca aqui, ah, nessa curva aqui de quem vai para a casa da senhora Maria, mas não tinha árvore, tinha hortência, igual hoje, né, e o Afonso falou que era dos escoteiros que estavam subindo a rocha, aí nós andamos mais 6 km, 6 km de Chão Batida até chegarmos ao acampamento do senhor [Música] Afonso, quando chegamos ao acampamento, o acampamento estava todo revirado, com coisas, tinha algumas coisas reviradas lá e a Marg não estava lá [Música] e nós vimos que realmente algo tinha acontecido [Música] E aí descobrimos o desaparecimento de Marco Aurélio. O Afonso, que falava comigo, que falava da nossa dor, lá, ah, um filho acabou de chegar, aí todo mundo preocupado com ele, pra eles vão dar muita atenção porque ele é rico, eu ainda perguntei, eu falei, Senhor, vai pra polícia, Senhor vai pra Piquete, ele falou que não, eu vou esperar, ele não quis chamar ninguém, não, ele ainda gritou pra mim, lá, falou, você vai pegar água pra fazer alguma coisa pra gente comer, quando cheguei em casa pra pegar água pra fazer alguma coisa pra gente comer, porque há dois dias quase sem comer, sabe, você estava numa situação, né, aí o senhor Afonso falou assim, ah, não, o filho dele estava lá, né, aí quando entrei na casa, vi que o filho dele pegou, não sei se foi um facão, foi o que era que ele pegou e ficou olhando pra minha cara, lembro que ele gritou muito, ele devia ficar trancado no quarto e aqui ele me deixou com medo, falou que ia amarrá-lo em algum lugar à noite, por volta das 10:30, 11 horas foi até ali onde está a porta e eu ouvi um pedido de socorro, socorro, socorro e choveu muito e uma luz grande, aí eu falei, chefe, é o Marco, aí ele pegou S, correu na chuva e ru entrou no meio do mato e sumiu, ficou cerca de 3, 4 horas, ele ficou, era a voz do Marco Socorro, socorro e apito e grito, Socorro, entendo que já gritei, mas okay, o senhor Afonso negou, falou que não ouviu, eu acho estranho que eram 8 minutos para as 11, o telefone aqui, Ivo, nós não vamos hoje, porque ele desapareceu ontem e eu lembro que nesse momento o pai estava um pouco chão, né, E porque ele nos contou que Marcus Aurelius [Música] desapareceu, a questão de ter avisado a polícia, ele falou que não, eu ainda falei pra ele, meu pai, meu pai é policial, ele sempre ensinou tudo que acontece, tem que avisar a polícia, aí ele falou, seu pai não sabe de nada e daqui a pouco eu vi meu pai se barbeando e vi meu pai falando de novo com minha mãe e quando eu vi, levantei, meu pai se barbeou todo, foi muito triste, mas aí o pai se recompôs de novo, ele já pediu para ligar para o meu tio para ligar para outro chefe escoteiro porque a primeira coisa que o pai fez foi, vamos pra lá, a Nema estava em estado de nervosismo, desespero, desespero, porque nossa luta para salvar esses filhos era muito grande, eu sei que meu pai na mesma noite ligou para o irmão dele e eles foram para lá, ficaram tantos meses fora e aí minha mãe, nossa angústia era buscar todos os recursos possíveis, helicóptero, polícia, exército, carros, tudo para que Marco Orélio pudesse nos encontrar, eu sabia que a situação ia piorar a cada dia que passava [Música], Marc Orel chegou na segunda-feira pelo comandante da policiamento da cidade de Piquete, a busca começou na terça-feira, o desaparecimento do marho aconteceu no sábado por volta das 2:30 da tarde e na terça-feira conseguimos mobilizar o efetivo para mais de 300 homens, veículos e helicópteros para vir para a serra, a busca durou 28 dias ininterruptos, foi feito um rastreamento na serra, que é como um guarda-chuva de cima para baixo, de espaço em espaço, eles praticamente limparam a serra, da Polícia Militar participaram cerca de 30 policiais militares, eu coordenei a parte da Polícia Militar, porque no corpo de bombeiros havia um Major que acompanhou toda a busca, o Major Edmundo Zarbos tinha o pessoal do exército, tinha alguns voluntários e tinha muito boia-seca aqui na região, no total de pessoas procurando Marco Aurélio, eu vi umas 300 pessoas, o desaparecimento do marho aconteceu em 8 de junho de 1985, e aqui está muito frio para chegar assim, 15:30, 16 horas, tudo escurece, tudo fecha, então temos medo de juntar as pessoas e descer cedo, o Ju acompanhou o pessoal do corpo de bombeiros, el, acompanhou o pessoal do corpo de bombeiros, Jor, arbos, ele simplesmente respondeu o que perguntamos e a única coisa que Juan fez diferente foi, chamamos um psicoterapeuta e fizemos uma sessão de hipnose, ele não se lembrou de mais nada, apenas na hora que o Marco desapareceu, ele enganou a cabeça Extraoficialmente, como subsídio nas investigações, Juan foi interrogado por um psicólogo que acabou informando que Juan tem uma mentalidade de 15 anos, é agressivo, não aceita sexo, por outro lado, eu voltei para São Paulo, voltei, fui para o hospital, vi que tinha uma fratura, né, então tive que infiltrar o meu joelho C dias após o acidente, né, foi logo no começo, eu estava na varanda sentado assim, estava com a minha perna engessada e chegaram dois policiais civis, né, vem cá, eu tinha a chave, peguei, abri, colocaram um saco na minha cabeça e me jogaram num carro e eu fui Quando eu entrei na delegacia, vi o Juan numa tina cheia de água até aqui com a cabeça para fora e me colocaram dentro da delegacia e quando cheguei lá essa ramati zona Dr Esídio [Música] e o Major Edmund Sab sentados na mesa do chefe dos bombeiros E aí eu sei que me deu um tapa na cara na hora, eu quero que você me diga onde está o corpo do Marco, eu falei, não sei, não tinha corpo, porque eu também não vou acusar uma pessoa e nunca vou fazer isso sem prova, mas aí veio, né, a tortura, né, aí eu tomei choque, entendi muito choque, partes íntimas no dedo, entende, eu desmaiei duas vezes e jogaram água fria em mim, entende, tiveram muitas conversas, muitos pedidos para que ele lembrasse de tal pessoa, não obstante, não houve um momento de tortura, nada disso, se eu soubesse que eles não conseguiram nada comigo, eles me entregaram para o exército, aí o tenente frio, esse também me torturou, esse me torturou, me torturou e o Juan, tá e amarrado, o Juan subiu num helicóptero e nós fomos para minha, estou algemado nesse helicóptero, tá, helicóptero do exército, o tenente, fingindo que descia lá embaixo, assim com um helicóptero do exército pra mostrar onde estava o corpo do Marco, eu falei, não vou falar, porque não, não, não tem, não confessei, porque obviamente não fiz, mas eles se torturaram, eles chegaram a ficar ventando num livro que se espalhou que o Major Zar Bosque colocou o revólver na cabeça do Juan, o bombeiro não usa revólver, como é que o Major colocou o revólver na cabeça do, do nada, não existiu nada disso, eu só lembro que a minha casa com a porta aberta, foi uma entrada, lado, jornalistas, foi o telefone tocando sem parar, que a gente começou a receber muitas ligações com a publicidade e muitas trotes, muitos trotes, minhas tias iam para casa e elas tinham caderninhos que elas anotavam tudo e aí eu tive a ideia de que os telefones na época eram grampeados, eu fiz uma ligação dos telefones grampeados para dentro do gravador de rádio e começamos a gravar as ligações porque dependendo do caso, a gente passava essas gravações para a polícia [Música] eu continuei dobrando os cartazes em casa porque eu fazia mala direta, eu mandava tudo pelo correio, então era dobrar, etiquetar, enviar, virou uma coisa que nos apressava tanto, tão automática que a gente tinha o sentimento ao mesmo tempo, mas tinha a parte prática do que a gente podia fazer, né, pra ajudar nisso tudo e cada vez que a gente fazia uma campanha a gente fugia, eu lembro assim, de ver, tá, esse é o Marcus Aurelius, Marcus Aurelius, porque a gente pensava que já ia acontecer [Música], a gente continuou a busca por 15 dias até que o pessoal da disse que não podia mais encontrar ela aqui e era para encerrar a busca e nós, é muito, muito triste saber que uma criança, sabia que tinha uma criança perdida na mata e que a gente não conseguiu localizar, foi muito, muito decepcionante. Partir, satisfação porque nós fizemos tudo infelizmente não conseguimos encontrar. Após o término da busca, comecei a pensar e agora peguei o caso, eh, obviamente, analisei todas as etapas e tentei fazer o que eu achava que era importante, e até a pedido do Ministério Público, como a reconstituição do local, o rastro que o Marco Aurélio teria feito, nós fomos intimados, né, o Juan e os escoteiros e do lado da Polícia Civil, só eu, que fui para lá, eu estive na base em duas oportunidades, para dar continuidade na reconstituição e a Dona Maria, ela mandou até um recado pra gente, ah, eu fui pescar e a vara fincou na terra e saiu com cheiro de podridão, fomos buscar material, não achamos nada, encontramos esse motorista e eu conversei com o motorista nessa antes comigo combinou, o irmão gêmeo do Marco Aurélio, Marco Antônio, ele entrou, pedi para ele entrar na sala e quando perguntei o Benedito dele, ele ficou bastante incomodado porque ele falou que era esse que deu uma carona de ônibus para ele, que ele não sabia que o Marco Antônio ia, ninguém sabia, exceto o Ivo e eu tenho a convicção que ele realmente deu a carona, o Marco aam de investigação teve muitos videntes que moraram em casa e dormiram em casa, o pai pegou o carro de madrugada, foi para os videntes da serra que disseram, olhe, me leve até lá e eu vou te mostrar exatamente onde ele está e nada nunca saiu disso. Aí veio a ideia dos ufólogos, né, ele passou no meio de duas pedras, isso representa pra nós um portal que talvez ele tenha ido para outra dimensão, não, você pode me provar, eles não falaram, eles até tentaram sequestros, minha mãe até devolveu para a polícia, pagou dinheiro, teve muita coisa que nos magoou, né, tivemos duas tentativas de extorsão, pedindo a sua mulher para vir aqui à meia-noite de amanhã, e ele deu o endereço e repassou para o chefe da polícia, o chefe da polícia, eles pegaram o indivíduo lá que quis essa extorsão da gente, olha, foi uma reviravolta total dos nossos objetivos, saímos daqui para tirar dentes, fomos para a Bahia, fomos para Sorocaba, um garoto foi visto aqui, lá fomos nós, então naquela época se pensava que o Marco teria sido visto no ônibus e ido para Campos do Jordão, dormiu lá, então ele deixou um bilhete dizendo: Olá, muito obrigado, quando as pessoas acordaram, era de manhã A sede do grupo escoteiro encontrou seu bilhete assinado Marcus Aurelius, esse grupo pegou fogo e eles não tinham mais o bilhete, até hoje não há provas de que Marcus Aurelius possa ter morrido, eu fiquei muito triste quando vi a notícia e pessoas incriminando o Juan, até disseram que o Juan poderia ser pedófilo, aí apareceu tudo, né, que o Juan planejou desaparecer com o Marcus Aurelius, que houve um complô, nós ouvimos de tudo [Música], quando ele completou 36 anos, houve uma bomba em Piquete, que é a história onde a família do senhor Afonso se envolveu, reabriu a investigação, os suspeitos ganharam força após uma mensagem de áudio circular nas redes sociais, um homem até então desconhecido, conta em detalhes o que poderia ter acontecido com Marco Aurélio, a filha do Afonso morreu há três dias e antes de morrer ela contou a verdade no hospital, disse que no dia em que Marco Aurélio chegou lá para pedir ajuda à noite e ela tinha um irmão que não conseguia ajustar a cabeça, né, ela disse que o velho João que era o irmão dela, o Afonso de espingarda gide pegou o Marco orel para, depois de um tempo, encontraram ele pendurado no meio da mata, su gid estava tão desesperado na época que ele o enterrou no quarto dele no chão e no quarto onde ele dormia, as evidências eram muito fortes, imagina o homem morava lá enterrado debaixo da cama coberto de terra fechado, eles vão cavar eu disse não vou lá, quero ver, hora de começar a escavação, mais de 4 horas de trabalho, vários carrinhos de terra removidos, essas fotos mostram os buracos cavados na casa, um pequeno pedaço de osso de galinha foi encontrado e eu fui para a casa de uma das irmãs, uma das filhas do Afonso, Helena, disse que conhecia a história, mas que sabia o que sabia que ela não esteve com a irmã dela lá no hospital onde ela morreu, mas que estava ciente dessa história, que ela poderia ser viável, não havia motivo para eu duvidar do zelador, quando ninguém pensou nisso, a busca não foi concentrada nas terras do senhor Afonso, porque a notícia que tínhamos era que Marco Aurélio teria descido do acidente para pedir ajuda aqui na base, então nada foi feito aqui, nada foi feito no que se presume ter desaparecido, eu não conhecia a família de São Afonso, eu só soube depois que chegamos aqui, soubemos que ele tinha um filho doente mental, mas esse João eu o vi apenas uma vez aqui, meu nome é Márcia Maria Barbosa Silva, sou filha da doura Marton, sou moradora e proprietária da base do Pico dos Marins, passei minha infância, passei por aqui e fiquei muito na casinha do senhor Afonso, Dona Maria também, então ele tinha um filho que sempre tinha um problema de saúde mental, por ser agressivo, cheguei a ver o senhor Afonso trabalhar algumas vezes, né, ele tomava medicação controlada com o tempo, o senhor Afonso fez um espaço pra ele do lado de fora, lembro da ligação quando o João desapareceu em 89, fui na casa do senhor Afonso, lembro que a senhora Maria chorava muito, sabe, muito preocupada, triste quando ele brigava ou assim ficava nervoso, tudo o que ele fazia era sair, ia dar uma caminhada, não sei se ele ia dar uma caminhada ou aparecer, não sei, todos em Piquete sabiam quem era João, Dona Maria Aurelia, filho, desapareceu em 85 e João em 89, há ainda uma segunda hipótese levantada por essa outra filha do senhor Afonso, Dona Helena, então Dona Helena, ela nos contatou e pediu se poderíamos deixá-la morar aqui, mas no intervalo em que ela morou conosco, ela começou a cavar o local, um lugar embaixo da nossa terra que nem sabíamos, ela sempre dizia que tinha uma visão de que o irmão dela, que havia pessoas enterradas, então ela dizia que era o irmão dela, a senhora não encontrou nada, nada, mas a senhora acredita que o seu Afonso poderia ter feito, o pai da senhora que meu irmão desapareceu, ninguém sabe onde ele esteve, meu pai não gostava disso, eu não entendia, Don meu pai ficou muito bravo com ele, sabendo que tudo poderia ter acontecido lá, será que foi o filho do senhor Afonso que matou Marcus Aurelius, será que o senhor Afonso matou o filho, enterrou os dois juntos, filho assassinado para não ser incriminado, porque aí só que nós não temos rastro nenhum hoje, se isso aconteceu, é muito mais difícil provar, porque a mata já tomou esses isolamentos, qualquer tipo de poluição, se algum rastro for encontrado, o drone inteligente escaneou toda a área e apontou pelo menos cinco pontos que seriam túmulos com ossos, mas para chegar aos locais, desenterrar e coletar o material, é um trabalho complexo e minucioso para cada pedaço de terra ou pedra que é guardado pelos peritos, a esperança aumenta, coletamos amostras de solo que podem ter vestígios de DNA, matéria, matéria humana, genética, e isso será analisado em nossos laboratórios em um futuro processo, mais simultaneamente com as escavações, eu não preciso procurar um filho morto, porque se ele morreu nesse ponto, onde vou encontrá-lo, não tenho prova, nem do sim, nem do não, então prefiro continuar procurando ele vivo, é difícil e [Música] olhar para minha mãe, tanto quanto me lembro, ela achou que Marco Aurélio estava vivo, tudo mais, ela deu entrevistas até um dia que sentou muito e aí ela falou, ah, chega, não aguento mais, mas que a resposta que ela queria [Música] queria, ainda hoje eu sinto que meu irmão está vivo, hoje tenho um pouco mais de estrutura depois de tantos anos até tocar no assunto para falar, mas ainda é difícil, o que eu acho, o que eu acho, acho que Marcus Aurelius se viu sozinho naquela montanha quando se viu sozinho, ele bateu a cabeça ou teve uma perda de memória muito grande e de lá ele foi embora, pensei em tantas coisas, tive tantas teorias e hoje prefiro não falar sobre você, você é um homem forte, você se considera um homem forte, sim, se você fala tanto, eu acredito que S é muito forte, sim, 84 anos, ele é muito determinado, olha para essa idade a voz dele já está fraca, ele anda cada vez mais devagar, mas ele é incansável, ele não para, é difícil, é difícil, eu sinto muito pelo meu pai, porque ele não descansa e precisa de uma resposta, né, nós precisamos, mas ele, mais do que todos, eu moro aqui, com 54, 55 anos de idade, a terra ainda está aqui, porque sabe-se lá, um dia a campanha aí, eu vou atender e Marco orelho Pai [Música] chegou, voltei para casa do meu pai depois de 20 anos com a minha família, casei em 2004 com Casi e agora em 2024 voltei com minhas filhas com dois gatos com meu marido, a casa volta a ter mais vida, é feliz como quando éramos crianças que sempre estávamos todos juntos fazendo lição de casa ou assistindo televisão, o que for, ou nos preparando para sair e com amigos dentro de casa e agora está novamente bagunçada, ok, diversão [Música], o tesouro que eu tenho na minha vida é a minha família, meus filhos, gerações, filhas e netos que moram comigo hoje, é o meu tesouro, o meu tesouro, não compartilho com [Música] ninguém [Música], um dos maiores legados que eu tenho na minha história, essa pintura diz Pai, quando o barco da vida virar, lembre-se [Música] de nós [Música] [Aplausos] [Música]



