Este município do Estado de Mato Grosso possui uma cena literária ativa e contemporânea, sendo residência de diversos autores que narram em suas obras a rápida transformação social do interior do Brasil.
No Chão do Agronegócio Floresce a Poesia: A Cena Literária de Rondonópolis
Se há uma cidade em Mato Grosso que desafia o estereótipo de "capital do agronegócio" como território árido para as artes, essa cidade é Rondonópolis. A 212 km de Cuiabá, no coração da região Sudeste do estado, o município que ostenta o título de "Capital Nacional do Bitrem" revela uma face surpreendente: a de um polo literário pulsante, organizado e em franca expansão .
Fundada em 1953, a cidade completa 73 anos em 2026 com uma cena cultural que extrapola as feiras agropecuárias. Aqui, a literatura não é um acaso — é um projeto coletivo. Entre os 54 coautores da mais recente coletânea poética em homenagem à cidade, entre os 12 imortais da Academia local e entre os 290 alunos da rede municipal que acabam de publicar seu primeiro livro, Rondonópolis prova que, no chão fértil do Cerrado, a poesia também viceja com força.
Neste artigo, mergulhamos fundo nesse cenário para mapear as raízes, as tradições e, principalmente, os agentes contemporâneos que fazem de Rondonópolis um dos mais vibrantes polos literários do interior mato-grossense.
1. Raízes e Tradição: Do Garimpo à Academia
O Berço Literário
A história literária de Rondonópolis é relativamente recente, mas intensa. A cidade, que nasceu às margens do Córrego da Pitanseira e se desenvolveu impulsionada pela agricultura e pela localização estratégica — "entroncamento de mão única", como descreve a historiadora Luci Léa Lopes Martins Tesoro —, demorou algumas décadas para ver florescer sua produção literária organizada .
As primeiras vozes que ecoaram pelas ruas da então jovem cidade foram as de cronistas e poetas isolados, cujos escritos se perdiam em páginas de jornais locais e publicações modestas. Entre esses precursores, destacam-se figuras como Wilson Ferreira Lemos, advogado, poeta e jornalista, cujo nome hoje patroniza uma das cadeiras da Academia Rondonopolitana de Letras .
A Fundação da ARL (2013): O Marco da Institucionalização
O divisor de águas da literatura rondonopolitana ocorreu em 19 de novembro de 2013, com a fundação da Academia Rondonopolitana de Letras (ARL) .
A cerimônia, realizada no auditório do jornal A Tribuna MT, contou com o apoio do diretor Samuel Logrado de Souza e foi liderada pelos escritores Ailon do Carmo e Pedro Pereira Campos Filho . Na ocasião, a academia foi constituída inicialmente por 12 cadeiras, cada uma representada por um patrono e um acadêmico .
A criação da ARL foi recebida como "um dos mais significativos marcos da história cultural da cidade", nas palavras de Ailon do Carmo . Em seu primeiro ano de existência, a academia já contava com uma diretoria estruturada: Pedro Pereira Campos Filho como presidente, Ailon do Carmo como vice-presidente, e membros como Ivonete Lopes, Clotildes Fagundes, Paulo Isaac, Hermélio Silva, Jerry Mill, Jackson Aguirre, Gilson Lira, Cidinha Carvalho e Ney Iared ocupando as cadeiras .
"Uma Academia de Letras deve, também, preservar o que existe de mais importante na literatura e eternizar os melhores escritores, editar livros, fazer renascer bens culturais, valorizar e defender pessoas que cultivam a literatura", escreveu a imortal Wilse Arena da Costa em 2014, celebrando o primeiro ano da instituição .
Os Patronos da Memória
Dentre os nomes que emprestaram suas trajetórias para batizar as cadeiras da ARL, estão figuras que ajudaram a construir a identidade cultural não apenas de Rondonópolis, mas de Mato Grosso como um todo:
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Cândido Mariano da Silva Rondon — o Marechal sertanista que dá nome à cidade e patrono da Cadeira nº 1 .
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Dom Francisco de Aquino Correa — bispo, escritor e historiador mato-grossense .
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Agenor Ferreira Leão — poeta e jornalista .
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José Yousef Merhi (José Sobrinho) — patrono da Cadeira nº 12, que também nomeia um dos centros culturais da cidade .
Ao longo de seus 11 anos de existência — celebrados em 2024 pela Câmara Municipal de Rondonópolis — a ARL consolidou-se como guardiã da memória literária local, promovendo concursos literários, saraus e outras atividades culturais .
2. A Cena Contemporânea: Coletâneas, Saraus e uma Nova Diretoria
Se a ARL é a espinha dorsal institucional, os verdadeiros músculos da cena literária rondonopolitana estão nos eventos coletivos, nas publicações colaborativas e na formação de novos leitores-escritores que vêm das escolas públicas.
A Academia em Movimento: Nova Diretoria (2025–2027)
Em dezembro de 2025, a ARL deu mais um passo importante ao empossar sua nova diretoria para o biênio 2025–2027, em cerimônia realizada no auditório da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) .
O novo presidente, George Ribeiro (que já havia atuado como vice-presidente na gestão anterior ), anunciou um plano ambicioso:
"A ARL tende a se expandir para promover a arte literária produzida em nosso contexto e fortalecer a memória daqueles que contribuíram para o desenvolvimento da literatura em Rondonópolis e região" .
Entre as metas da nova gestão estão:
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Abertura de edital para preenchimento de novas cadeiras acadêmicas em 2026;
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Parceria com a UFR para pesquisas que identifiquem escritores regionais que possam dar nome às futuras cadeiras, na condição de patronos e patronesses;
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Captação de recursos e parcerias institucionais para ampliar a atuação da Academia .
"Temos muito a construir e, por isso, estendemos as mãos à sociedade e aos poderes constituídos em busca de incentivo e parceria. É importante que todos saibam que uma Academia de Letras tem papel fundamental em uma cidade em expansão como Rondonópolis, pois a preservação da memória e dos registros histórico-culturais também se dá por meio da literatura", acrescentou George Ribeiro .
"Rondonópolis, 72 anos": A Grande Coletânea Poética
O evento mais emblemático da cena literária rondonopolitana nos últimos anos é, sem dúvida, o projeto "Rondonópolis, [idade] anos" — uma coletânea poética anual que reúne dezenas de escritores locais em homenagem à cidade.
A primeira edição, "Rondonópolis, 70 anos" , lançada em dezembro de 2024, contou com 72 coautores residentes em três países, oito estados brasileiros e 21 cidades no mundo — uma prova do alcance da diáspora rondonopolitana e do poder de convocação dos organizadores .
A segunda edição, "Rondonópolis, 72 anos" , lançada em 5 de dezembro de 2025 na Biblioteca Rachid Jorge Mamed, é ainda mais significativa por seu caráter genuinamente local. Organizada pelos escritores Ivanildo José Ferreira e Hermélio Silva (membro fundador da ARL, Cadeira nº 6), a obra reúne 54 poetas e poetisas .
A composição dos 54 coautores revela a diversidade e a pujança da cena:
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21 mulheres e 33 homens
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Três homenagens póstumas (incluindo Ailon do Carmo, fundador da ARL, e Wilse Arena da Costa)
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Dois pseudônimos
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Dois cidadãos italianos e um haitiano — mostrando a internacionalização da cidade
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Os três autores do Hino de Rondonópolis
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Dez membros da Academia Rondonopolitana de Letras (três já falecidos)
As profissões dos coautores são um retrato da intelectualidade rondonopolitana: empresários, pastores, músicos, servidores públicos, professores, maestros, neuropsicopedagogos, advogados, atores, bibliotecários, jornalistas e neuroterapeutas .
"É uma coletânea para os anais da cidade, organizada a quatro mãos. Feita com muito amor por Rondonópolis, selecionando o que temos de melhor na sua intelectualidade" , afirmou Hermélio Silva .
O escritor Édson Ceretta, um dos coautores, foi além:
"Sem dúvida nenhuma, é um livro histórico para Rondonópolis — MT, com intelectuais de alto gabarito, reverberando suas produções para todo o Brasil, e o amor pela já mencionada cidade. Capital do agronegócio e do bitrem, com tantos lançamentos de livros ocorrendo com espantosa frequência, a meu ver, Rondonópolis também poderia ser chamada de 'A capital regional da literatura'."
Os Pequenos (Grandes) Autores: O Projeto "A Cidade da Gente"
O dado mais animador — e que aponta para o futuro — vem da rede municipal de ensino. Em dezembro de 2025, foi lançado o livro "Rondonópolis – A Cidade da Gente" , uma publicação cujos autores são nada menos que 290 alunos de três escolas municipais: Escola Bonifácio Sachetti (Parque São Jorge), Escola Vila Paulista Maria Ursulina (Vila Paulista) e EMEB Odorico Leocádio da Rosa (Novo Horizonte) .
O projeto, viabilizado pela Lei Rouanet com patrocínio da ADM e realização da Editora Olhares, envolveu 12 turmas do 6º ano. Cada aluno escolheu um tema entre os patrimônios materiais, imateriais e ambientais da cidade para incluir em suas produções textuais. Entre os temas escolhidos: a Praça dos Carreiros, a Exposul, a Rodovia do Peixe, a Aldeia Tadarimana e o Correio Velho .
"A intenção do projeto é apoiar a perpetuação e a disseminação da história local, ampliando, entre as crianças, a percepção do valor das riquezas culturais, sociais e ambientais da cidade. Assim, o propósito é contribuir para a construção da identidade, do sentimento de pertencimento e da autoestima dos estudantes" .
Os Saraus e a Oralidade Poética
A produção literária em Rondonópolis não se limita ao papel. Em 29 de setembro de 2025, foi realizado um sarau cultural no Museu Rosa Bororo para apresentar a capa escolhida para o livro "Rondonópolis, 72 anos", confirmar a data de lançamento e divulgar os nomes dos 54 autores .
O sarau — com declamações de poemas, apresentações musicais e noite de autógrafos — é uma tradição que a ARL e os coletivos locais têm cultivado como forma de tirar a literatura da estante e colocá-la na praça. A programação da posse da nova diretoria da ARL em dezembro de 2025, por exemplo, incluiu uma apresentação de saxofone do maestro Álvaro Heinrich .
Os Escritores Independentes: Quem São os Nomes da Cena
Com base nas coletâneas e nos registros da ARL, é possível identificar um núcleo duro de escritores atuantes em Rondonópolis. Muitos deles estão listados como coautores em "Rondonópolis, 72 anos" :
| Nome | Observações |
|---|---|
| Hermélio Silva | Membro fundador da ARL (Cadeira nº 6), editor, escritor com 34 livros publicados, coorganizador das coletâneas |
| Ivanildo José Ferreira | Coorganizador das coletâneas, professor |
| Ailon do Carmo (in memoriam) | Membro fundador da ARL, figura central da fundação da Academia |
| George Ribeiro | Presidente da ARL (2025–2027) |
| Paulo Isaac | Ex-presidente da ARL (2021) |
| Jackson Aguirre | Membro da ARL, autor de livros como Diário de um Menino de Rua e Escravos do Destino |
| Wilse Arena da Costa (in memoriam) | Doutora em Educação, escritora, membro da ARL (Cadeira nº 10) |
| Gilson Lira (in memoriam) | Membro da ARL |
| Cidinha Carvalho | Membro da ARL (Cadeira nº 11) |
| Jerry Mill | Membro da ARL, tesoureiro |
| Isaias Dias Pereira | Membro da ARL, secretário na gestão de 2021 |
| Édson Ceretta | Poeta e escritor |
| Senio Alves | Professor, artista visual, autor da capa de "Rondonópolis, 70 anos" |
| Aires José Pereira | Poeta |
| Joelson Santos | Poeta |
| Mário Sérgio Denadai | Poeta |
| Divina Bertalia | Poeta |
| Pastora Sandra Cruz | Poeta |
Espaços de Resistência: Museu Rosa Bororo e Biblioteca Rachid Jorge Mamed
A cena literária rondonopolitana se materializa em espaços físicos que funcionam como territórios de encontro:
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Museu Rosa Bororo: Espaço que abriga lançamentos de livros e saraus, como o evento de apresentação da capa de "Rondonópolis, 72 anos" .
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Biblioteca Rachid Jorge Mamed: Local do lançamento oficial da coletânea de 2025 .
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Auditório da UFR: Sede da posse da nova diretoria da ARL em 2025 .
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Câmara Municipal de Rondonópolis: Palco da celebração dos 11 anos da ARL em 2024, em parceria com a Escola do Legislativo .
3. Temáticas e Obras: O Que Escrevem os Rondonopolitanos
Gêneros Predominantes
Com base na produção mapeada, os gêneros mais recorrentes na literatura rondonopolitana são:
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Poesia — Gênero hegemônico, como demonstram as coletâneas "Rondonópolis, 70 anos" e "Rondonópolis, 72 anos", ambas inteiramente poéticas .
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Memória e História Local — Obras que resgatam a trajetória da cidade, como os escritos de Hermélio Silva e as pesquisas de Luci Léa Lopes Martins Tesoro .
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Literatura de Denúncia Social — Jackson Aguirre, com Diário de um Menino de Rua e Escravos do Destino, aborda a realidade das crianças em situação de rua e dos vulneráveis .
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Prosa e Romance — Presente na produção de alguns membros da ARL, embora com menor visibilidade do que a poesia.
Temáticas Recorrentes
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Amor e Exaltação à Cidade: As coletâneas poéticas são, em sua essência, cartas de amor a Rondonópolis — sua história, sua gente, seus símbolos (o ipê-amarelo da Praça Brasil, a Exposul, a Praça dos Carreiros) .
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Memória e Identidade: Há uma preocupação evidente em registrar o que Rondonópolis foi e o que está se tornando. O livro "Rondonópolis, 72 anos" é descrito como uma obra que "presta deferência à cidade ou empresta os nomes para a obra, demonstrando o que pensam num dado período da sua história" .
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Denúncia e Consciência Social: A poesia de Jackson Aguirre, nas palavras do leitor Isaac Soares de Souza, "inquire e fornece o direito de ser livre a todo ser vivente", abordando os "desvalidos que vagam perdidos sem destino e nem lugar" .
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Fé e Espiritualidade: Vários coautores das coletâneas são pastores, líderes religiosos ou mencionam explicitamente temas de fé em suas biografias .
Obras Recentes de Destaque
| Título | Autor(es) | Ano | Gênero |
|---|---|---|---|
| Rondonópolis, 70 anos | 72 coautores (org. Ivanildo José Ferreira e Hermélio Silva) | 2024 | Coletânea poética |
| Rondonópolis, 72 anos | 54 coautores (org. Ivanildo José Ferreira e Hermélio Silva) | 2025 | Coletânea poética |
| Rondonópolis – A Cidade da Gente | 290 alunos da rede municipal | 2025 | Coletânea infantojuvenil |
| Diário de um Menino de Rua | Jackson Aguirre | — | Romance/Denúncia social |
| Escravos do Destino | Jackson Aguirre | — | Romance/Denúncia social |
| Rondonópolis-MT – Entroncamento de mão única | Luci Léa Lopes Martins Tesoro | — | História local |
4. O Papel da Universidade e a Formação de Novos Talentos
Um dos fatores mais promissores para o futuro da literatura em Rondonópolis é a presença da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e seu Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) .
A nova diretoria da ARL, liderada por George Ribeiro, já articula uma parceria com a UFR para a realização de pesquisas voltadas à identificação de escritores e escritoras rondonopolitanos ou regionais que possam dar nome às novas cadeiras acadêmicas, na condição de patronos e patronesses .
Essa parceria entre a Academia e a universidade é fundamental para romper o isolamento da produção literária local e conectá-la ao debate acadêmico mais amplo sobre literatura mato-grossense e brasileira.
Considerações Finais: Rondonópolis, a Capital Regional da Literatura?
A afirmação de Édson Ceretta — de que Rondonópolis "poderia ser chamada de a capital regional da literatura" — pode parecer ousada à primeira vista . Mas os fatos a sustentam.
Em nenhuma outra cidade do interior de Mato Grosso se vê um movimento tão organizado, numeroso e diverso quanto o de Rondonópolis. São 54 poetas em uma única coletânea. São 290 crianças publicando seu primeiro livro. São 12 cadeiras na Academia, prestes a se expandir. São dezenas de títulos publicados por autores independentes.
Claro, há desafios. A ARL ainda não tem sede própria — o que, como apontou Wilse Arena da Costa em 2014, "a impede de organizar um acervo literário" e de contar com "um espaço para reuniões, encontros e discussões" . A maioria dos escritores locais não vive da literatura — "nenhum deles e nenhuma delas dispõem do privilégio de viver de suas artes, por enquanto", como reconhece Ivanildo José Ferreira .
Mas a semente foi plantada. E, no solo fértil de Rondonópolis, onde o ipê-amarelo floresce todos os anos na Praça Brasil , a poesia também encontra seu tempo de desabrochar.
Referências
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[1] A Tribuna MT. Academia Rondonopolitana de Letras empossa sua nova diretoria. 16 dez. 2025. Disponível em: https://www.atribunamt.com.br/rondonopolis/2025/12/nesta-quinta-academia-rondonopolitana-de-letras-empossa-sua-nova-diretoria/
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[2] A Tribuna MT. "A cidade da gente": Alunos da rede municipal escrevem livro sobre Rondonópolis. 8 dez. 2025. Disponível em: https://www.atribunamt.com.br/rondonopolis/2025/12/a-cidade-da-gente-alunos-da-rede-municipal-escrevem-livro-sobre-rondonopolis/
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[3] A Tribuna MT. Academia Rondonopolitana de Letras será fundada na terça. 16 nov. 2013. Disponível em: https://www.atribunamt.com.br/geral/2013/11/academia-rondonopolitana-de-letras-sera-fundada-na-terca/
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[4] Prefeitura de Rondonópolis. Catálogo da Biblioteca Municipal Manoel Severino da Silva. Disponível em: https://www.rondonopolis.mt.gov.br/Biblivre5/single/
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[5] A Tribuna MT. Parabéns à Academia Rondonopolitana de Letras. 27 nov. 2014. Disponível em: https://www.atribunamt.com.br/opiniao-do-leitor/2014/11/parabens-a-academia-rondonopolitana-de-letras/
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[6] NMT - Notícias de Mato Grosso. Rondonópolis faz 72 anos e recebe homenagem em livro. 11 nov. 2025. Disponível em: https://nmt.com.br/2025/11/11/rondonopolis-faz-72-anos-e-recebe-homenagem-em-livro/
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[7] Prefeitura de São José do Povo. Posse da Nova Diretoria da Academia Rondonopolitana de Letras. 8 dez. 2021. Disponível em: https://www.saojosedopovo.mt.gov.br/Noticias/Geral/Posse-da-nova-diretoria-da-academia-rondonopolitana-de-letra-271/Nossa-Cidade/Fotos-Atuais/Secretarias/Educacao/
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[8] A Tribuna MT. Rondonópolis e seus poetas. 21 nov. 2022. Disponível em: https://www.atribunamt.com.br/opiniao-do-leitor/poesias/2022/11/rondonopolis-e-seus-poetas/
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[9] Câmara Municipal de Rondonópolis. Câmara celebra 11 anos da Academia Rondonopolitana de Letras. 22 nov. 2024. Disponível em: https://mail.rondonopolis.mt.leg.br/escola/noticia.php?id=22614
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[10] Fatos e Notícias. O livro "Rondonópolis, 70 anos" será lançado no próximo dia 17, no Museu Rosa Bororo. 4 dez. 2024. Disponível em: https://fatosenoticias.com.br/91179-2/
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