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A Ahmadiyya é um movimento religioso islâmico reformista que se originou na Índia Britânica no final do século XIX. Distanciando-se de interpretações tradicionais do Islã, a Ahmadiyya enfatiza a necessidade de um messias e profeta para a era moderna, o que gerou tanto admiração quanto controvérsia dentro do mundo muçulmano. O movimento se caracteriza por uma forte ênfase em preceitos morais, serviço humanitário e uma visão pacífica da disseminação de sua fé.

Origem e Fundamentação Histórica

A Comunidade Muçulmana Ahmadiyya (Jamat-e-Ahmadiyya Muslim) foi fundada em 1889 em Qadian, Punjab, Índia Britânica, por Mirza Ghulam Ahmad (1835-1908). Ele proclamou ser o "Messias Prometido" e o "Mahdi" aguardado pelos muçulmanos, bem como um avatar para os hindus e o reenviado de Cristo para os cristãos, com a missão de reviver os ensinamentos originais do Islã e promover a paz e a compreensão inter-religiosa. O contexto de surgimento do movimento foi o período do Raj Britânico, marcado por intensos debates teológicos e pela ascensão de movimentos de reforma religiosa e social em resposta ao colonialismo e à modernidade. Mirza Ghulam Ahmad buscou reconciliar a fé islâmica com os avanços científicos e filosóficos da época, rejeitando interpretações literais e extremistas do Alcorão e da Sunnah.

Definição Sociológica e Teológica

Sociologicamente, a Ahmadiyya pode ser definida como um movimento de reforma dentro do Islã, que se distingue por sua escatologia messiânica e sua estrutura organizacional global. Teologicamente, baseia-se no Alcorão e nos ensinamentos do Profeta Muhammad, mas com a adição da revelação divina concedida a Mirza Ghulam Ahmad, que é considerado o "Selo dos Profetas" no sentido de que ele completou e aperfeiçoou a mensagem profética anterior, e não que é um profeta sucessor no sentido tradicional de uma nova lei divina. Um dogma central é a crença na morte de Jesus na cruz e seu subsequente falecimento natural na Caxemira, rebatendo a doutrina da ascensão física. A Ahmadiyya adere à crença no Tawhid (unicidade de Deus) e na profecia de Muhammad como o último profeta com uma lei divina completa.

Principais Crenças, Dogmas, Ritos e Práticas

As crenças fundamentais da Ahmadiyya incluem:

  • A crença em um Deus único (Allah) e naismillah (em nome de Deus).
  • A crença nos profetas anteriores, incluindo Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad, sendo este último o "Selo dos Profetas".
  • A crença em Mirza Ghulam Ahmad como o Messias Prometido e o Mahdi, que veio para reformar o Islã e guiar a humanidade para a paz.
  • A crença na morte de Jesus e em seu posterior falecimento natural.
  • A interpretação do jihad como uma luta espiritual e moral, rejeitando o uso da violência para a propagação da fé.

Os ritos e práticas Ahmadiyya são semelhantes aos de outros muçulmanos em muitos aspectos, como as cinco orações diárias (Salat), o jejum no Ramadã, a caridade (Zakat) e a peregrinação a Meca (Hajj). No entanto, o movimento também enfatiza a leitura regular do Alcorão, a oração e o estudo dos escritos de Mirza Ghulam Ahmad. A comunidade também se dedica intensamente a atividades de serviço humanitário através de sua organização de caridade, a Humanity First.

Estrutura Organizacional e Liderança

A Comunidade Muçulmana Ahmadiyya é uma organização global e hierárquica, liderada pelo Califa (Khalifa), que é o sucessor espiritual de Mirza Ghulam Ahmad. O atual Califa é Sua Santidade Mirza Masroor Ahmad. A liderança centralizada garante a unidade doutrinária e administrativa do movimento em todo o mundo. Cada comunidade local é supervisionada por um Sadr Anjuman Ahmadiyya (Secretário Geral), que responde ao Califa. A organização incentiva a participação ativa dos membros em diversas frentes, incluindo a pregação, o serviço comunitário e a educação.

[ADVERTÊNCIA/CONTROVÉRSIAS] Análise Factual de Polêmicas e Críticas

A Ahmadiyya enfrenta considerável oposição e perseguição por parte de muçulmanos ortodoxos e governos de países de maioria muçulmana. A principal controvérsia reside na crença de que Mirza Ghulam Ahmad é o Messias Prometido e o Mahdi, uma doutrina que muitos muçulmanos consideram blasfema e herética, pois acreditam que a profecia de Muhammad é final e que nenhum outro profeta ou messias pode surgir após ele. Essa divergência teológica levou à declaração de "kufir" (incredulidade) contra os Ahmadiyya por várias organizações islâmicas.

Em alguns países, como Paquistão, a Ahmadiyya foi legalmente declarada como não-muçulmana. A Lei de Declaração de Status de Minorias Religiosas de 1974, no Paquistão, proibiu os Ahmadiyya de se autodenominarem muçulmanos, de usarem terminologia islâmica e de praticarem seus ritos publicamente. Isso resultou em discriminação sistêmica, violência e violações dos direitos humanos contra os membros da comunidade Ahmadiyya. Relatórios de organizações de direitos humanos documentam ataques a mesquitas Ahmadiyya, assassinatos e prisões arbitrárias. A comunidade Ahmadiyya, por sua vez, tem consistentemente promovido a paz, a tolerância e o diálogo inter-religioso, rejeitando veementemente qualquer forma de extremismo e violência. Não há evidências factuais e documentais que classifiquem a Ahmadiyya, como um todo, como uma "seita destrutiva" no sentido de explorar financeiramente, isolar socialmente ou coagir seus membros a danos físicos ou psicológicos sistêmicos contra indivíduos, animais ou a sociedade. Pelo contrário, as suas práticas e os seus ensinamentos centram-se na moralidade, no serviço e na paz, embora a sua teologia distintiva seja a raiz das controvérsias e perseguições que enfrentam.

Impacto Social, Cultural e Relevância Contemporânea

A Ahmadiyya tem um impacto social e cultural significativo através de seu ativismo humanitário, campanhas de educação e promoção da paz. A organização está presente em mais de 200 países e territórios, com milhões de adeptos em todo o mundo. Sua relevância contemporânea reside em sua abordagem à coexistência pacífica entre diferentes religiões e culturas, sua defesa dos direitos humanos e sua oposição ao extremismo religioso. Em um mundo cada vez mais polarizado, a mensagem de paz, amor e tolerância da Ahmadiyya oferece uma perspectiva valiosa para a resolução de conflitos e a construção de sociedades mais harmoniosas.

Referências e Fontes de Pesquisa

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